Entenda o que são fundos imobiliários (FIIs), conheça os principais tipos e descubra como escolher e investir em nosso passo a passo.
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Leonardo Uller
Tempo de leitura · 17 min
Publicado em
20 de outubro de 2022
O mercado de FIIs atingiu a marca de 2,96 milhões de investidores em 2025, segundo dados divulgados pela B3 (bolsa de valores). O número reforça o espaço que esses papéis conquistaram entre brasileiros que buscam aplicações ligadas ao setor imobiliário.
Esse interesse está relacionado à possibilidade de investir em empreendimentos como shoppings, lajes corporativas e galpões logísticos sem a necessidade de adquirir um imóvel diretamente.
Além disso, a estrutura dos fundos permite acesso a ativos diversificados e gestão profissional, o que amplia as possibilidades de estratégias ao longo do tempo.
Este guia reúne o que são fundos imobiliários, como funcionam, quais tipos existem, de onde vem o retorno e como investir na prática.
Fundos imobiliários são um investimento que aplica recursos em empreendimentos ou em títulos ligados ao mercado imobiliário. Em vez de comprar um imóvel, o investidor adquire cotas que circulam na bolsa de valores e recebe uma parte dos resultados do fundo proporcional à quantidade em carteira.
Os fundos compram dois tipos de ativo. Alguns preferem imóveis propriamente, como prédios comerciais, shoppings e galpões. Outros compram títulos de crédito imobiliário, papéis em que uma pessoa ou empresa toma dinheiro emprestado para construir e paga juros ao fundo.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão do governo que fiscaliza o mercado de capitais, define as regras de funcionamento e obriga cada fundo a divulgar suas informações.
Com essa definição em mente, é hora de entender como esse investimento funciona na prática.
Como explicamos anteriormente, um fundo imobiliário é como um condomínio de investidores. Várias pessoas aplicam em um patrimônio comum, que o fundo divide em cotas negociadas na B3. Um gestor profissional escolhe os imóveis e os títulos da carteira, enquanto cada cota dá direito a uma fração dos empreendimentos e dos resultados.
Duas figuras sustentam a estrutura. O gestor profissional toma as decisões de investimento: compra, vende e negocia contratos de aluguel dentro do que o regulamento permite.
Já o administrador cuida da parte técnica e legal, controla o caixa, presta contas à CVM e publica os relatórios mensais. O cotista acompanha o desempenho sem assumir nenhuma dessas rotinas.
Caso a aplicação tenha sucesso, os rendimentos e lucros são divididos de forma proporcional entre os cotistas, de acordo com a quantia investida por cada um deles.
Para ilustrar, imagine um fundo que comprou um galpão logístico por R$ 100 milhões e dividiu o patrimônio em 1 milhão de cotas de R$ 100. Uma transportadora aluga o espaço e paga R$ 800 mil por mês.
Depois de descontar custos como manutenção, seguro e taxas, restam R$ 700 mil. Esse valor é distribuído entre os cotistas: quem tem 100 cotas recebe 0,01% do total, ou R$ 70 naquele mês; quem tem 1.000 cotas recebe R$ 700.
Vale destacar que esses rendimentos são geralmente isentos da cobrança de imposto de renda.
Cada fundo monta a carteira segundo uma estratégia própria, e essa escolha separa os fundos imobiliários em três tipos.
Tijolo, papel e híbrido são as três principais categorias. Fundos de tijolo compram imóveis físicos e recebem aluguel. Fundos de papel investem em títulos de crédito imobiliário e recebem juros. Fundos híbridos misturam as duas alternativas na mesma carteira. A escolha influencia o risco e a previsibilidade da renda.
Cada tipo de FII tem uma origem diferente para o dinheiro que é repassado ao investidor. Saiba os detalhes a seguir.
Fundos de tijolo investem em imóveis propriamente ditos, como galpões de logística, lajes e shoppings. De forma geral, os rendimentos dessa modalidade provêm dos aluguéis pagos pelos inquilinos.
Mas nem todo fundo de tijolo é igual. Isso porque um gestor pode optar por aplicar em múltiplos empreendimentos, enquanto outros podem concentrar em uma única propriedade.
Também há diferenças nos tipos de imóveis. Por exemplo, as necessidades de um hospital são bem diferentes das de um escritório.
Um hospital assina contrato longo, faz obras caras na estrutura e dificilmente sai. Uma laje corporativa troca de inquilino com mais frequência e costuma sofrer mais com a oferta de escritórios na região.
No mercado, há fundos concentrados em um só segmento e fundos que combinam vários perfis de construção.
Também conhecidos como fundos de recebíveis, os fundos de papel compram títulos ligados ao crédito imobiliário em vez dos imóveis. O fundo empresta dinheiro para construtoras e incorporadoras e recebe juros, corrigidos por índices como o IPCA ou o CDI.
Os gestores dessa categoria trabalham com alternativas variadas:
Alguns fundos de papel compram ainda cotas de outros fundos imobiliários ou ações de empresas do setor.
A renda do fundo de papel tende a ser mais regular do que nos de tijolo, pois os contratos já têm prazos e taxas definidos. Por outro lado, a carteira sente rapidamente as mudanças nos juros e na inflação.
Os fundos imobiliários híbridos combinam investimentos em imóveis físicos, como prédios comerciais, centros logísticos e shoppings, com ativos financeiros do setor, como CRIs.
A ideia é equilibrar as duas fontes de retorno. Os imóveis geram aluguel e representam patrimônio real. Os papéis trazem juros e reagem a outros fatores econômicos. Se um lado tiver dificuldades, o outro pode sustentar a distribuição.
Por outro lado, o acompanhamento envolve dois mercados para entender o desempenho do fundo, o que pode dificultar a comparação com outros investimentos.
O quadro abaixo resume as diferenças práticas entre os três tipos de fundos imobiliários:
Tipo de fundo | Origem da renda | Principais ativos | Ponto de atenção | Perfil que costuma combinar |
|---|---|---|---|---|
Tijolo | Aluguel pago pelos inquilinos. | Shoppings, lajes corporativas, galpões logísticos e hospitais. | Vacância e custo de manutenção dos imóveis. | Conservador a moderado. |
Papel | Juros dos títulos de crédito. | CRIs, LCIs, LHs e CEPACs. | Sensibilidade a mudanças de juros e de inflação. | Moderado a arrojado. |
Híbrido | Aluguel e juros na mesma carteira. | Imóveis físicos somados a CRIs. | Análise mais complexa, com dois mercados a acompanhar. | Moderado |
Mas como esses investimentos geram retorno? Descubra a seguir.
O retorno dos FIIs vem de duas formas. A primeira é a distribuição periódica de resultados, geralmente paga todo mês a quem tem cotas. A segunda é a diferença entre o preço de compra e o de venda na bolsa. Cada uma dessas formas tem regras de tributação diferentes.
Entenda.
O fundo recebe aluguéis e juros ao longo do mês, desconta as despesas e distribui o resultado entre os cotistas. O valor cai na conta da corretora, sem necessidade de vender nada. Quem tem mais cotas recebe proporcionalmente mais.
A frequência normalmente é mensal, mas pode variar conforme o regulamento do fundo. Alguns pagam a cada trimestre. O valor também muda de mês para mês, dependendo do aluguel recebido, da vacância dos imóveis e das despesas do período.
No mercado, essa distribuição é chamada de dividendos de FIIs, parecida com o que as empresas pagam aos acionistas. Mas, nos documentos do fundo, o termo técnico é rendimento. Nos relatórios e plataformas, os dois termos costumam ter o mesmo significado.
Pessoas físicas costumam receber esses rendimentos sem cobrança de Imposto de Renda, mas a isenção não é automática. A lei exige três condições ao mesmo tempo:
Na prática, quem compra poucas cotas de fundos imobiliários grandes e listados na B3 geralmente cumpre as três condições sem dificuldade. O terceiro item só afeta quem investe valores muito altos em fundos pequenos. Se alguma condição não for cumprida, a distribuição passa a ser tributada.
O preço da cota varia todos os dias na bolsa, como acontece com as ações. A compra sai por um valor e a venda pode sair por outro, maior ou menor. O lucro só acontece na venda.
O preço da cota muda de acordo com a oferta e a procura, mas também reflete o que o mercado pensa sobre os imóveis do fundo, os contratos de aluguel e o cenário de juros. Por isso, um fundo pode pagar bons rendimentos e, mesmo assim, ter a cota em queda.
Quando há ganho na venda, o valor entra na declaração e sofre incidência de Imposto de Renda à alíquota de 20% sobre o lucro, sem faixa de isenção por valor negociado. O recolhimento é de responsabilidade do investidor, por meio de DARF, no mês seguinte à operação.
Entenda melhor como funcionam os impostos dos FIIs no vídeo abaixo:
Nenhum fundo garante rendimento nem valorização. As duas frentes dependem do desempenho dos imóveis, dos contratos e do mercado.
Em resumo, os dividendos de FIIs e o ganho na venda seguem lógicas diferentes, tanto em frequência quanto em tributação.
O quadro abaixo resume as duas frentes de retorno:
Critério | Rendimentos mensais | Ganho na venda da cota |
|---|---|---|
Origem do lucro | Aluguéis e juros recebidos pela carteira. | Diferença entre o preço de compra e o de venda. |
Frequência | Mensal na maioria dos fundos. | Pontual, só no momento da venda. |
Imposto de Renda | Isento para pessoa física, se cumpridas as três condições da lei. | 20% sobre o lucro apurado. |
O que faz o valor variar | Vacância, contratos de aluguel e despesas do fundo. | Oferta e procura na bolsa, juros e percepção sobre os imóveis. |
Como todo investimento, há prós e contras. Por isso, é importante avaliá-los antes de investir em FIIs.
Facilidade de comprar e vender cotas na bolsa, valor baixo de entrada, distribuição periódica de resultados e possibilidade de espalhar o dinheiro por vários imóveis são algumas das vantagens. Do lado negativo, entram a oscilação de preço, a vacância, a falta de previsibilidade e o imposto sobre o lucro na venda.
Cada ponto pesa de forma diferente conforme o prazo e o objetivo de quem investe em fundos imobiliários. As vantagens vêm primeiro.
Nenhum investimento é totalmente seguro, e os FIIs não fogem à regra. O peso de cada item acima muda conforme o fundo, o prazo do aporte e a fatia da carteira destinada ao produto.
Após essa análise, chegou a hora de colocar em prática: como investir em FIIs?
Abra conta em uma corretora autorizada pela CVM, como o C6 Bank. Em seguida, preencha a análise de perfil de investidor e pesquise os fundos disponíveis na plataforma. Depois, envie a ordem de compra e acompanhe os relatórios mensais de cada fundo que entrar na carteira.
Cada etapa dessa jornada tem detalhes que mudam o resultado de quem está começando agora. Acompanhe o passo a passo de como investir em FIIs:
A compra de cotas de fundos imobiliários acontece na bolsa, então o investidor precisa de uma instituição autorizada pela CVM e habilitada na B3. No C6 Bank, a conta digital fica pronta com muita rapidez, sem papelada e sem taxas, e já dá acesso ao C6 Invest.
Os custos entram na decisão. Corretagem e taxa de custódia podem diminuir o rendimento de quem compra cotas com frequência. No C6 Invest, não há cobrança de corretagem nem de custódia para renda variável no Brasil, incluindo os FIIs.
O questionário serve para identificar a tolerância a oscilações e objetivos. FIIs são investimentos de renda variável, e o resultado da análise mostra se esse produto combina com o perfil traçado.
A classificação resulta em três perfis:
Leia mais sobre como funciona a análise de perfil de investidor, um passo essencial antes de decidir investir em fundos imobiliários ou outros tipos de produtos financeiros.
Cada fundo publica um relatório mensal com a lista de imóveis, a taxa de vacância, os contratos de aluguel, as despesas e a distribuição do período. O documento fica no site do administrador e na página do fundo na B3.
Consulte também o volume médio de negociação. Fundos com poucos negócios por dia podem dificultar a venda de lotes maiores.
Depois da escolha do fundo, chega a etapa da ordem de compra. A negociação acontece como na compra de ações, direto na bolsa: basta digitar o código do fundo, informar a quantidade de cotas e o preço, e enviar a ordem pelo home broker.
No C6 Invest, o Home Broker reúne a compra e a venda de cotas, as cotações em tempo real e o acompanhamento da carteira.
A distribuição cai na conta da corretora conforme o calendário de cada fundo. Além do valor recebido, os relatórios mensais merecem acompanhamento: a saída de um inquilino importante ou a compra de um novo imóvel pode mudar a distribuição dos meses seguintes.
Saiba mais sobre o cálculo do rendimento mensal dos FIIs no vídeo abaixo:
Um dos passos que mostram como investir em FIIs merece mais atenção: a escolha do fundo. Confira os critérios para analisar.
Analise o preço das cotas e compare o dividend yield, indicador que mostra a relação entre a distribuição e o valor da cota. Em seguida, examine a composição da carteira, os contratos de aluguel e a localização dos imóveis. Por fim, consulte o volume médio de negociação.
Esses critérios aparecem nos relatórios mensais de cada fundo imobiliário e nas plataformas de investimento. Entenda o peso de cada um.
Dividend yield é um termo em inglês que significa “rendimento do dividendo” e indica a taxa de retorno de um determinado fundo imobiliário.
Um percentual alto chama atenção, mas é necessário contexto. O número sobe quando a distribuição cresce, e também quando o preço da cota cai. No segundo caso, o indicador alto sinaliza desconfiança do mercado sobre a carteira, não necessariamente oportunidade.
Por isso, compare o histórico do próprio fundo com o de outros fundos do mesmo segmento. Um dividend yield isolado, sem série histórica nem comparação, reflete pouco sobre a qualidade do investimento.
Para calcular o índice, basta dividir os dividendos pagos nos últimos 12 meses pelo valor das cotas do fundo imobiliário.
O desempenho do fundo depende dos ativos que compõem a carteira. Por isso, o relatório mensal merece leitura atenta: quais imóveis, onde ficam, quantos inquilinos ocupam os espaços e quando os contratos vencem.
Essas informações ajudam a entender o nível de concentração e o risco de vacância. Um fundo com um único inquilino, por exemplo, depende inteiramente daquele contrato. Já um fundo com dezenas de locatários dilui esse risco, embora possa exigir uma gestão mais complexa.
As características dos próprios imóveis também fazem diferença. A localização e o padrão de cada propriedade influenciam a facilidade de locação. Um galpão próximo a um grande centro urbano, por exemplo, tende a encontrar inquilinos com mais facilidade do que um imóvel isolado.
Outro ponto relevante é a liquidez, ou seja, a facilidade de transformar cotas em dinheiro pelo preço justo. A liquidez depende de um fator simples: a quantidade de investidores dispostos a comprar no momento da venda.
A negociação na bolsa funciona por encontro de ordens. De um lado, quem quer vender; de outro, quem quer comprar. Quando um fundo tem muitos negócios por dia, há sempre ofertas de compra na fila, e a ordem de venda se completa em segundos, por um preço próximo ao da última cotação.
Em fundos pouco negociados, a fila é curta. As ofertas de compra aparecem em quantidade menor e por valores mais distantes do preço de tela. Nesse cenário, a venda de um lote maior tem dois caminhos, e ambos custam: esperar dias até surgir comprador para o volume desejado ou baixar o preço até encontrar quem aceite comprar na hora.
O volume médio diário de negociação, disponível na página do fundo na B3 e nas plataformas de investimento, mede essa profundidade. Quanto maior o volume, menor a chance de o investidor precisar escolher entre pressa e preço.
Além disso, as cotas têm uma vantagem em relação aos imóveis físicos: são negociadas em frações. O investidor se desfaz de parte da posição e mantém o restante aplicado, alternativa que não existe na venda de um imóvel inteiro.
Compreendido o que são fundos imobiliários e como funcionam, falta a parte prática: comprar a primeira cota.
No C6 Invest, plataforma de investimentos do C6 Bank, há diferentes FIIs disponíveis para consulta e comparação. Siga estas etapas:
Quem ainda não tem cadastro na corretora precisa enviar os dados antes do primeiro aporte, em um processo no próprio app.
Conheça o C6 Invest, confira todas as opções de renda variável além dos FIIs e encontre as que combinam com o seu perfil de investidor.
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Esta seção reúne as dúvidas mais comuns sobre os FIIs: tributação, valor de entrada, distribuição de rendimentos e critérios de escolha.
Depende da fonte do lucro. A distribuição periódica costuma ficar livre de cobrança para pessoa física, desde que o fundo tenha as cotas negociadas em bolsa, reúna no mínimo 100 cotistas e o investidor detenha menos de 10% do total de rendimentos distribuídos. Já o lucro apurado na venda de cotas paga 20%.
Não existe aporte mínimo definido por lei. Cotas costumam custar entre dezenas e centenas de reais, conforme o fundo. A compra acontece unidade por unidade, sem lote mínimo. A corretagem e a taxa de custódia mudam de instituição e alteram o custo total da operação.
A renda passiva com FIIs vem da distribuição periódica de resultados, paga na maioria dos casos todo mês. O valor depende da quantidade de cotas e do desempenho da carteira. Nenhum fundo garante quanto vai pagar, e o montante varia conforme aluguéis recebidos, vacância e despesas do período.
Para saber mais sobre dividendos, baixe o e-book e tenha acesso a um material completo sobre viver de renda.
A análise combina quatro critérios: a taxa de retorno em relação ao preço da cota, a composição da carteira, o volume médio de negociação e a taxa de administração. Um indicador isolado diz pouco, já que retorno alto pode refletir queda no preço da cota.
Este conteúdo tem caráter informativo e não representa uma recomendação de investimento. Antes de tomar qualquer decisão financeira, avalie seus objetivos e perfil de risco. Se tiver dúvidas, conte com o suporte de um especialista.
Informações sobre os produtos e serviços do C6 Bank vigentes na data da postagem deste texto. As regras e condições de cada produto e/ou serviço podem ser posteriormente alteradas. Consulte os termos vigentes no momento da contratação pelo app.
Este material não oferece garantias ou declarações, explícitas ou implícitas, sobre rentabilidades futuras dos produtos ou serviços mencionados. As informações aqui são baseadas em simulações, e os resultados reais podem variar consideravelmente.

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